Não esperem continuação,nem uma história comum sobre vampiros.
A rivalidade entre eles (os vampiros) existia desde os tempos imemoriais...Envolto em sua capa,retirou a espada da bainha,cravou na pedra,naquele mesmo local séculos mais tarde Rei Arthur tomou aquela espada por sua.Foi ali que ocorreu essa história.
Disputavam a primazia daquela linhagem de vampiros: Alucard,Vlad Dracull e Drácula; cada um deles dizia aos aprendizes de grandes vampiros ser superior aos outros dois, e ter dado origem a família mais importante do mundo.Conheci os três,eram sanguinários,impiedosos;portadores de uma arrogância e suposta superioridade asquerosa,exímios caçadores...Algumas vítimas simplesmente não sobreviviam.Há um limite de sangue a ser sugado das vítimas,ultrapassado o limite elas morrem,não viram vampiros,eles não desconheciam essa regra,contudo a sanguinolência deles estava dificultando a sobrevivência e continuidade daquela família.Foi nesse momento que um deles sugeriu uma batalha,uma batalha decisiva,só um deles sairia vivo.
Os pares de asas furiosas cortavam a noite,os demais vampiros assistiam a cena ansiosos,qual deles saria vencedor? Haveria um?Os mais ousados faziam suas apostas.Litros de sangue ao ganhador da aposta,tudo garantido.Quanto ao vencedor da batalha? Não pairava dúvida que ele reinaria de forma suprema sobre todos os outros,sobre suas asas e caninos afiados estaria o futuro do clã.
O círculo de fogo estava desenhado no chão,haviam chegado,seria a última vez que estariam juntos,os mortos-vivos.Dentes em fúria começa o combate.Vlad,o mais temido até então,abre suas asas,alça voo em direção ao Drácula, desferindo seu ataque,os dois lutavam em pleno ar,espadas ruidosas brigavam entre si.Alucard que até então assistia,juntou-se aos outros dois,ficara ali embaixo,em terra observando aquele duelo pra saber qual deles sairia vencedor,Drácula estava ferido no ombro,"juntaria-se"ao combate ao lado de Vlad,pra que o outro fosse eliminado o mais rápido possível.Agora tínhamos um dois contra um.
Tentou defender-se enquanto possível,contudo causou apenas alguns arranhões em Alucard e Vlad.Em pouco tempo de combate Drácula,mortalmente ferido,tombou sem sentidos no meio do fogo.
As criaturas riram diabolicamente vendo a outra queimar,só um vampiro é capaz de matar outro daquela maneira, os demais,os reles mortais precisam de estacas,balas de prata e acessórios afins.
-Vai desistir?Zombou Vlad.
-Só com você morto.Retrucou Alucard.
Nesse instante,o jovem vampiro retirou a mortalha de linho mostrando a cruz dourada em seu peito.
O velho vampiro sem entender muito bem a situação disse:
-Resolveu degenerar?
-Não me reconhece?
-Não.
-Fui o primeiro que você mordeu.
-Então está resolvido.Se até você admite que a linhagem foi fundada por mim quem seria ousado o suficiente pra tentar desmentir agora?
Alucard sacou a espada de prata,Vlad colocou-se na defensiva,dando um passo pra trás,abriu as garras e as asas,o outro aproveitando-se disso encurralou Vlad de encontro ao fogo,ainda houve tentativa de reação por parte dele:apertando-lhe um dos braços quase trincou os ossos do Drácula,já que pra os desavisados,Alucard também é um Drácula.Este rindo freneticamente como era de seu costume enterrou a espada de prata no peito do velho vampiro.
Quedado ao chão,morto,estava Vlad diante de sua primeira vítima...Um caçador de vampiros.
*Conto feito para Caio César Gravata e Mauro Sena. Dois grandes vampiros.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Senhoras Sinceras
-Sou muito
sincera Jurema. A sinceridade é meu lema.
-Marli, você
sincera? Desde quando?
-Desde sempre ora
bolas. Desde quando nasci.
-Já está
mentindo!
Marli olhou a
amiga com raiva. Em tantos anos de amizade, amizade sincera até ali, como
Jurema ousara desconfiar dela daquela maneira, acusá-la sem motivo?
-Não se enerve
dessa maneira querida... Disse Jurema.
-Querida? Assim
que você paga mais de 30 anos de amizade?
-Olha, agradeço
sua amizade, seu companheirismo esses anos todos, mas... Não quero parecer forçada,
contudo, sincera mesmo amiga, você não é.
-E, ainda vem com
essa!!Vocês estão vendo... Estão todos de prova.
-Todos quem minha
velha? Só estamos nós duas aqui no terraço.
-Você não vê? Não
escuta os rumorejos das falas dos que nos leem? As risadas? As entortadas de
cara que estão dando ao "nos verem"?
-Já que é assim
façamos um trato. Propôs Jurema.
-Eu aceito.
-Marli... Você
nem sabe o que é...
-Nem preciso.
Marli, a sincera,
segundo as próprias palavras e Jurema a amiga desconfiada, como nós podemos notar,
fizeram um trato; juntas na varanda prometem uma pra outra a partir daquele
momento só falarem a verdade.
Jurema exige da
amiga um juramento especial...
-Que absurdo é
esse Jurema?
-Ou é isso ou
nada.
-Está feito.
Jurou diante daquela criatura ser uma mulher sincera. Jamais mentiu ou
mentiria.
Hoje entrei com
meus olhos e corpo invisível de narrador que quase tudo sabe na casa de
ambas....Meu Deus! E o que vi?Marli,a dita dona da sinceridade mundial escondia
bolinhos de chuva nos bolsos do avental, driblando o diabetes como ela só seria
capaz de confessar pra si mesma, já aos outros? Nunca houve na Terra alguém que
seguisse a dieta recomendada tão à risca.
Na casa de Jurema
não foi diferente. A mentira era menor, mas ainda assim mentira...Joaquim
achegou-se perto da mulher e perguntou:
-Jurema, o café
está pronto?
-Oh, meu velho
amanheci doente. As varizes estão atacadas. Doem...
-Sente aí. Vou
buscar o jantar.
Logo o marido saiu,
era uma quarta... Todos sabem dia de jogo, mas também e infalivelmente dia de
novela. Como ia dizendo tão logo o marido saiu a mulher trocou o canal e tocou
a assistir a novela.
Uma semana se
passou. Duas. Nada. Nenhuma delas descobria a mentira da outra.
Olharam-se longamente.
Uma reverenciou a seriedade e dignidade da outra. O pacto havia sido levado a sério.
Eram sinceras.
Haviam jurado a
Gepeto que não eram mentirosas. Pinóquio revoltado assistiu aquela cena maquinando
algo pra vingar-se das duas; nem ele escapava das mentiras, elas deveriam
escapar? O que fazer?
Lembrou-se do
Saci. Pediu ajuda ao “mago bruxo” das florestas.
No dia seguinte
as amigas viram-se envergonhadas. Viraram dois bonecos de madeira.
domingo, 20 de novembro de 2011
Teorias da Conspiração
E foram várias tentativas.
Agora vai. Pensou ela, quando foi quase atropelada por uma bicicleta, eram mais
de 30 mil naquele centro urbano, e estavam todas ali, as motos também. Parecia
uma confraternização de veículos.
Impaciente roía
as unhas. Sem ter o que fazer senão esperar o amenizar do trânsito ficou a
olhar a vitrine da loja mais próxima:
-Que coisa é
aquela ali? Apontou espantada.
-A imagem do
caos.
As pessoas,
animalizadas pela fome, policia em greve, saqueavam um supermercado.
-Não sabia que a
policia estava em greve. Comentou com uma senhora ao lado que como ela assistia
atônita aquela cena dantesca.
-Moça, você não
sabe é de nada... Os jornais, os meios de comunicação em geral estão suprimindo
as informações, passando "coordenadas erradas".
-Como assim?
-Você não vê?
Essa história de comércio abeto até mais tarde em véspera de feriado, é pra
omitir a greve da policia, veja se alguém sabia disso? Se alguém comentou? Eu
sabia. Vim aqui conferir a tragédia, meu esposo é policial e me confidenciou tudo.
Estão todos armando contra nós. Todos os que possuem poder, os pequenos, os grandes,
só de poder que eles precisam, e só do poder se servem pra nos manipular...
Isso tudo aqui é pra nos por uns contra os outros.
Estava tonta com aquilo.
Os neurônios fervilhavam.
A mulher
continuou:
-Hoje pela manhã
ainda cedo, os agentes da prefeitura, os fiscais e guardas municipais invadiram
as favelas, as casas, atearam fogo em tudo. Por isso essa confusão toda aqui.
Clara afastou-se
daquela criatura. Não poderia ser verdade. Esfregou bem os olhos cansados daquela
multidão toda e apenas viu dentro da loja pessoas comprando, outras vendendo.
Não era o caos. Não ainda.
Do outro lado da
avenida ele esperava. Foram tantas as palavras daquela senhora que nem lembrava
mais dele, porém Cristiano estava ali, houvesse ou não uma teoria da
conspiração, ele ali estava... O homem de sobrancelhas grossas, arqueadas, bem
feitas, uma escultura sem termo, agastado pela demorava dela, ainda assim
esperava. Atravessou a rua.
Juntos, ela e o
homem foram embora, não sei pra onde, sei apenas que fugiram dos conspiradores.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Fotos.Fatos das Ruas.
Olhos fechados, perigo imenso, solto na rua o
cão ladrava. Os passantes apavorados, esquivos, xingavam. Era um coisa ruim.
Comia dedos, devorava almas. Estava doente. A baba escorria abundantemente ao
canto da boca, escancarada, ofegante, cheia de dentes ferozes ou inofensivos. Deitou-se
num canteiro de cactos, espinhosos como ele. Estava insone ,ferido, longe de
casa.
O frio era imenso. As gotas de orvalho caiam
em seu corpo franzino, delicado. Um contraste perfeito com sua alardeada
agressividade.
-Bambino! Bambino!
As notas familiares trouxeram-lhe paz... Em
minutos estaria em casa. Caminha quente. Parecia humano... Tantos mimos... As
cobertas macias, comida agradável, bons donos, fiéis e cordatos. Olhou pra eles,
um olhar difuso... Achegou-se até a janela. A chuva continuava e cães como ele
estariam lá fora. Como ele não, ele tivera mais sorte. Tinha um lar. Aos cães
abandonados ele volveu seus olhos lúcidos que ao encontrarem aqueles embotados
pelas maldades do mundo, verteram lágrimas de dor, uma ainda maior do que a que
sofrera na rua. A todo animal, a toda criança abandonada... Pede-se apenas LAR.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Ligação - Parte II (Final)
A carta iniciava-se com uma declaração reveladora:
"Amigo,matei seu pai...E agora o que faço?"
O pai estava mesmo morto?Pediu licença e desligou o telefone.Não
continuou a ler a carta,depositou-a na mesinha e discou pros parentes.
-Não.Sua tia não está.Não sei se seu pai está com ela.
Os outros não atenderam.Passou a mão nos cabelos,cruzou as
pernas.Segurou o envelope.
O telefone tocou novamente.Não atendeu.As ligações não paravam,tirou o
telefone da tomada e ainda assim ouvia os seus apelos.Tomou coragem e começou a
ler,sem interrupções.
Logo após a primeira revelação vieram outras:
Éramos amigos,eu e ele.Sou um assassino como declarei logo na linha acima.Estou atormentado,não pense que matei o seu pai...Matei o pai de outrem.Mas desejo saber...E se fosse o seu?Você faria o quê?Mereço perdão?
Fechou a o envelope e sentiu um grande alivio,ao menos seu pai estava
vivo,o cadáver pertencia a outra pessoa.Não recebeu mais ligações depois
daquele dia.
sábado, 5 de novembro de 2011
Arsênico com Amor
Casaram ainda muito jovens.Prometeram diante de um emissário de Deus que aquela união seria eterna.A cerimônia foi muito bonita,muitos convidados...Roupas elegantes,na festa comida farta,nos dias seguintes as coisas não mudaram;ambos atenciosos um para com o outro.Era primavera.
Moravam numa casa confortável,não eram ricos,não tinham empregados;dividiam as tarefas domésticas.Aos poucos estavam descobrindo-se.No príncipio das descobertas Antônia percebeu que o marido,bom,como direi isso?Direi da forma que ela gostaria que eu dissesse então...."Roncava que nem um porco", e mais impressionante era não ter percebido isso antes,por que só agora?Melhor não dar tanta importância a um fato como esse.Lúcio por sua vez começou a achar a esposa um tanto quanto desleixada,não tomava banho com a mesma frequência de outrora,já não se vestia com o esmero dos primeiros tempos; de qualquer forma era de se estranhar...Em pleno verão alguém tomar menos banho que o normal...Mas havia amor entre eles...Devia haver,do contrário por conta de que casariam tão cedo?Tantas pessoas pra conhecer,um mundo inteiro pra desvendar...Escolheram um ao outro.
-O café está frio.
Olhou pra ele com uma pontinha de raiva,deformando os lábios finos e delicados;naquela altura eles pareciam uma cobra ensaiando o bote.Preferiu abortar.
Quem era aquela mulher?Tão hostil,venenosa.Pensou ele vendo a cena a seguir:
Os lábios de serpente puseram-se arqueados diante dele,preparados pra inocular o veneno cruel...Morreria?
-Não temos empregada.Somos somente eu e você.Não gostou?Prepare outro.
Antônia encostou-se na pia,endireitou as mangas da camisa.O frio estava chegando,aos poucos, mas estava;naquela manhã retirou as roupas do armário,lavou,passou,estariam sem mofo pra quando o inverno chegasse...Pra dali um mês ou dois.Já era possível ouvir e ver seus chamados.
Os dias de felicidade comum eram cada vez mais raros.A chuva caia grossa no telhado.O vento entrava até por debaixo da porta.O marido deitado na cama lia o conto: "O Homem da Bolha",a esposa furiosa pela pouca atenção dos últimos meses,arranca-lhe o texto das mãos,puxou também os cobertores e disse:
-Não quero nada seu em minha casa.Há meses aguento seu ronco,sua falta de tempo e sobra de comodismo.
-Você não se enxerga?Olhe-se num espelho.Quem era e quem é você agora?Uma imunda que mal se depila,banho então...Melhor eu me calar,acho que o odor do ambiente fala mais do que qualquer palavra minha.
-Acabou.
-E,só agora Antônia que você notou isso?
-Não,eu notei isso da primeira vez que te trai ainda na lua de mel.
Moravam numa casa confortável,não eram ricos,não tinham empregados;dividiam as tarefas domésticas.Aos poucos estavam descobrindo-se.No príncipio das descobertas Antônia percebeu que o marido,bom,como direi isso?Direi da forma que ela gostaria que eu dissesse então...."Roncava que nem um porco", e mais impressionante era não ter percebido isso antes,por que só agora?Melhor não dar tanta importância a um fato como esse.Lúcio por sua vez começou a achar a esposa um tanto quanto desleixada,não tomava banho com a mesma frequência de outrora,já não se vestia com o esmero dos primeiros tempos; de qualquer forma era de se estranhar...Em pleno verão alguém tomar menos banho que o normal...Mas havia amor entre eles...Devia haver,do contrário por conta de que casariam tão cedo?Tantas pessoas pra conhecer,um mundo inteiro pra desvendar...Escolheram um ao outro.
-O café está frio.
Olhou pra ele com uma pontinha de raiva,deformando os lábios finos e delicados;naquela altura eles pareciam uma cobra ensaiando o bote.Preferiu abortar.
Quem era aquela mulher?Tão hostil,venenosa.Pensou ele vendo a cena a seguir:
Os lábios de serpente puseram-se arqueados diante dele,preparados pra inocular o veneno cruel...Morreria?
-Não temos empregada.Somos somente eu e você.Não gostou?Prepare outro.
Antônia encostou-se na pia,endireitou as mangas da camisa.O frio estava chegando,aos poucos, mas estava;naquela manhã retirou as roupas do armário,lavou,passou,estariam sem mofo pra quando o inverno chegasse...Pra dali um mês ou dois.Já era possível ouvir e ver seus chamados.
Os dias de felicidade comum eram cada vez mais raros.A chuva caia grossa no telhado.O vento entrava até por debaixo da porta.O marido deitado na cama lia o conto: "O Homem da Bolha",a esposa furiosa pela pouca atenção dos últimos meses,arranca-lhe o texto das mãos,puxou também os cobertores e disse:
-Não quero nada seu em minha casa.Há meses aguento seu ronco,sua falta de tempo e sobra de comodismo.
-Você não se enxerga?Olhe-se num espelho.Quem era e quem é você agora?Uma imunda que mal se depila,banho então...Melhor eu me calar,acho que o odor do ambiente fala mais do que qualquer palavra minha.
-Acabou.
-E,só agora Antônia que você notou isso?
-Não,eu notei isso da primeira vez que te trai ainda na lua de mel.
domingo, 30 de outubro de 2011
Ligação Parte I
Parado diante da caixa de correios tentava memorizar o próprio cep...Tomou coragem e saiu.Números repetidos incessantemente na mente,um grande medo de perdê-los.Num canto seguro da estrada,esgueirou-se por entre os ramos duma árvore desconhecida,sacou o celular e discou.Do outro lado da linha uma voz sonolenta:
-Aaalô.Atendendo a ligação.
-Aqui está o que me pediu: 4456 785
-O cep?
-Isso mesmo do jeito que o senhor pediu...Agora pode ir a uma agência e endereçar a carta pra mim?
-O que diz a carta?
-O senhor não leu...Percebo que não leu...
-Olha rapaz...Foi interrompido pela outra voz ao telefone.
-Lembra da primeira vez que te liguei e o por quê?
-Você disse ter encontrado meu número na lista telefônica.
-Isso!Precisava de alguém pra enviar o que te pedi.
-O que até hoje me intriga é que como entre tantos nomes você escolheu logo o meu.
-Temos o mesmo sobrenome,poderíamos ser parentes,isso pesou a seu favor.
-Tudo bem só falta o seu endereço.
-Rua dos Mártires nº6,Ilha do meio.
-Pra quem irá mandar a carta?
Aquele movimento seria decisivo.Enviar cartas era algo muito caro,por isso decidiu pedir ajuda a alguém,e justo quando precisavam enviar não conseguia dizer o nome do remetente.
-Não sabe pra quem enviar,não é?
-Não.
-Um tipo de carta como a sua não é comum.Dizendo melhor...A maioria das pessoas sabe pra quem escreveu a carta,mas você não parece fazer parte do grupo.
O outro baixou a cabeça.Encolheu os ombros como se pudesse ser visto pelo interlocutor.Com a voz ainda fraca,indecisa,retrucou:
-Envie pra mim mesmo.
-Como assim?
-Preciso do meu perdão.Tenho estado muito aflito.Quem sabe lendo minha confissão eu não me absolva?
-Não seria mais fácil escrever e apenas ler?
-Faça o seguinte:leia,faça suas anotações junto as minhas queixas contra mim e ponha no endereço que te dei.
Sozinho o interlocutor ficou pensativo...Lia,relia a carta e não encontrava palavras a dizer a um homem como aquele,cada palavra lida era um golpe desferido nele também.
"Amigo,matei seu pai...E agora o que faço?"
-Aaalô.Atendendo a ligação.
-Aqui está o que me pediu: 4456 785
-O cep?
-Isso mesmo do jeito que o senhor pediu...Agora pode ir a uma agência e endereçar a carta pra mim?
-O que diz a carta?
-O senhor não leu...Percebo que não leu...
-Olha rapaz...Foi interrompido pela outra voz ao telefone.
-Lembra da primeira vez que te liguei e o por quê?
-Você disse ter encontrado meu número na lista telefônica.
-Isso!Precisava de alguém pra enviar o que te pedi.
-O que até hoje me intriga é que como entre tantos nomes você escolheu logo o meu.
-Temos o mesmo sobrenome,poderíamos ser parentes,isso pesou a seu favor.
-Tudo bem só falta o seu endereço.
-Rua dos Mártires nº6,Ilha do meio.
-Pra quem irá mandar a carta?
Aquele movimento seria decisivo.Enviar cartas era algo muito caro,por isso decidiu pedir ajuda a alguém,e justo quando precisavam enviar não conseguia dizer o nome do remetente.
-Não sabe pra quem enviar,não é?
-Não.
-Um tipo de carta como a sua não é comum.Dizendo melhor...A maioria das pessoas sabe pra quem escreveu a carta,mas você não parece fazer parte do grupo.
O outro baixou a cabeça.Encolheu os ombros como se pudesse ser visto pelo interlocutor.Com a voz ainda fraca,indecisa,retrucou:
-Envie pra mim mesmo.
-Como assim?
-Preciso do meu perdão.Tenho estado muito aflito.Quem sabe lendo minha confissão eu não me absolva?
-Não seria mais fácil escrever e apenas ler?
-Faça o seguinte:leia,faça suas anotações junto as minhas queixas contra mim e ponha no endereço que te dei.
Sozinho o interlocutor ficou pensativo...Lia,relia a carta e não encontrava palavras a dizer a um homem como aquele,cada palavra lida era um golpe desferido nele também.
"Amigo,matei seu pai...E agora o que faço?"
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Quem vai ler?
Que bagunça! A chave caindo da mesinha, o lápis... Sim, mas
onde deixei o lápis? Como escrever isto? Recorrerei ao computador! Pronto estou
salvo.
-Mano você poderia me dar licença... Preciso escrever algo
importante.
Ele não me ouviu, continuou naquele joguinho idiota. Arranquei
a tomada do estabilizador e pifei a máquina. Agora nem eu nem ele.
-Justo quando que eu estava passando de fase! Sei não, tu só
tem caraminhola na cabeça, fica escrevendo essas sandices, quem vai ler?
-Você que não é. Aposto que nem ler direito sabe.
Saiu cuspindo fogo. E agora estava sem lápis ou computador;
ideias martelando na mente, prontas pra serem escritas, gritavam;
-Vocês podem calar um pouco a boca?
Elas não respondiam as minhas indagações, ficavam com o
mesmo disco arranhado, o mesmo principio, meio e fim de um conto que pelo visto
não seria escrito. Fiquei ali cismando na madrugada fria de junho...Como por
minhas palavras em ação? Estavam agitadas, irritadas e eu com cada vez mais
sono.
-Mano! Usa o gravador...
Parecia uma boa ideia.
Gravador em punho, as palavras entalaram na garganta,
impedidas por algum gênio ruim.
-E agora? Seria seu fim antes mesmo do principio? Seria meu
primeiro conto no blog.
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